O recorde que ninguém queria bater
O Brasil encerrou 2025 com um número que deveria alarmar qualquer gestor, profissional de RH ou empresário: mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais, segundo dados oficiais do Ministério da Previdência Social e do INSS. Esse número representa um recorde histórico pela segunda vez consecutiva em dez anos, consolidando uma tendência de crescimento acelerado que não dá sinais de desaceleração.
Para colocar em perspectiva: em 2023, foram 219.850 afastamentos por saúde mental. Em 2024, esse número saltou para 367.909. E em 2025, ultrapassou a marca de 546 mil — um crescimento de 79% em apenas dois anos, segundo levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) com dados oficiais do INSS.
Os números oficiais: o que o Ministério da Previdência revelou
Em janeiro de 2026, o Ministério da Previdência Social divulgou os dados consolidados de 2025. No total, foram concedidos 4.126.110 benefícios por incapacidade temporária no Brasil — um aumento de 15,19% em relação a 2024. Desses, 94,5% são previdenciários e 5,5% são acidentários.
O dado mais preocupante é que o crescimento dos benefícios acidentários foi de 26,08% em relação a 2024 — ou seja, os afastamentos diretamente ligados ao trabalho cresceram quase o dobro da média geral. Os transtornos mentais e comportamentais figuram como a terceira maior causa de afastamento no Brasil.
Top 10 causas de afastamento no Brasil em 2025
| CID | Descrição | Afastamentos |
|---|---|---|
| M54 | Dorsalgia (dores nas costas) | 237.113 |
| M51 | Transtornos de discos intervertebrais | 208.727 |
| S82 | Fratura da perna incluindo tornozelo | 179.743 |
| F41 | Outros transtornos ansiosos | 166.489 |
| M75 | Lesões do ombro | 135.093 |
| F32 | Episódios depressivos | 126.608 |
| S62 | Fratura ao nível do punho e da mão | 111.534 |
| S52 | Fratura do antebraço | 109.909 |
| S92 | Fratura do pé | 104.775 |
| Z54 | Convalescença | 85.013 |
Fonte: Ministério da Previdência Social, janeiro de 2026.
Note que dois dos dez maiores CIDs são transtornos mentais (F41 — ansiedade e F32 — depressão), somando juntos mais de 293 mil afastamentos.
A evolução ano a ano: uma curva ascendente
| Ano | Afastamentos | Variação |
|---|---|---|
| 2023 | 219.850 | — |
| 2024 | 367.909 | +67% |
| 2025 (jan–nov) | 393.670 | +79% vs 2023 |
Fonte: ANAMT com dados do INSS, janeiro de 2026.
Essa progressão também se reflete no impacto financeiro: o custo dos benefícios por transtornos mentais ultrapassou R$ 954 milhões somente em 2025.
O que está por trás desses números?
Especialistas apontam múltiplos fatores para essa escalada. O presidente da ANAMT, Francisco Cortes Fernandes, destaca que os afastamentos representam apenas "a face visível do problema". Entre os fatores mais citados estão: sobrecarga de trabalho, metas irrealistas, assédio moral, jornadas extenuantes, falta de autonomia e insegurança no emprego.
O que isso significa para as empresas em 2026
Com a fiscalização da NR-1 entrando em fase punitiva em maio de 2026, esses números ganham uma dimensão ainda mais urgente. Empresas que não identificarem e gerenciarem seus riscos psicossociais estarão sujeitas a autuações, multas e aumento do FAP.
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