O burnout não é mais "só cansaço"
Durante décadas, o esgotamento profissional foi tratado como uma questão pessoal. Essa era acabou. Com a entrada em vigor da CID-11 da OMS, o burnout foi oficialmente reconhecido como um fenômeno ocupacional, classificado sob o código QD85.
Os números de 2025 confirmam a urgência: segundo a ANAMT, os afastamentos por burnout triplicaram no Brasil entre 2023 e 2025, passando de 1.760 para 6.985 casos — o maior crescimento percentual entre todas as causas de afastamento por saúde mental.
O que mudou com a CID-11
Na CID-10, o burnout era classificado genericamente como "estado de esgotamento vital" (Z73.0). Com a CID-11:
- Código QD85: capítulo de "Problemas associados ao emprego ou desemprego"
- Definição clara: resultado do "estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso"
- Tríade diagnóstica: exaustão; distanciamento mental do trabalho; redução da eficácia profissional
- Exclusividade ocupacional: só pode ser diagnosticado em contexto de trabalho
No Brasil, a adoção plena da CID-11 está prevista para janeiro de 2027, mas o diagnóstico já é utilizado em perícias e processos trabalhistas.
Os números de 2025
| Ano | Afastamentos por Burnout | Variação |
|---|---|---|
| 2023 | 1.760 | — |
| 2024 | 4.880 | +177% |
| 2025 | 6.985 | +297% vs 2023 |
Fonte: ANAMT/INSS, 2026.
Estimativas apontam que 30% dos profissionais brasileiros convivem com a síndrome. O Brasil ocupa o 2º lugar mundial em casos de burnout.
Implicações legais para as empresas
Nexo causal facilitado: a classificação QD85 facilita a relação entre adoecimento e condições de trabalho.
Estabilidade provisória: 12 meses após retorno ao trabalho.
Ações trabalhistas em alta: cresceram 14,5% em 2025.
Impacto no FAP: afastamentos com nexo acidentário elevam a contribuição previdenciária.
Como prevenir
- Avaliação de riscos psicossociais com instrumentos validados
- Redesenho de cargas de trabalho
- Capacitação de lideranças
- Políticas de desconexão
- Monitoramento contínuo
O papel do RISK.OS
O RISK.OS avalia diretamente as dimensões que estão na raiz do burnout: exigências quantitativas, ritmo de trabalho, conflitos de papel, qualidade da liderança e equilíbrio trabalho-vida.




